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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Minha História com o HOG - Harley Owners Group

Crônica carinhosamente dedicada aos amigos citados a seguir, aos não citados, e àqueles que um dia serão meus amigos.

Nasci Harleyro, mas não sabia disso.
Acho que já era Harleyro antes de nascer, porque descobri que quando meu pai se encantou pela minha mãe, tentou fazer charme para ela, parando sua bicicleta motorizada sem pôr o pé no chão, e apoiando no ombro do irmão dela... Foi um tombo espetacular rsrs… mas então ela foi ajudá-lo a se levantar, e assim começou o namoro dos dois.
E a minha história de Harleyro continuou, pois passei a infância sonhando em ser motoqueiro, mesmo sem saber o que era Harley; no entanto, a minha infância pobre não me permitia sonhar muito.
Um dia, já adolescente, passei por uma loja em Jaboticabal (acho que chamava “ArrozMilar”) e meu olho brilhou, pois vi minha primeira Harley, mas ela tinha o nome de Motovi. Descobri depois que esse nome foi coisa da época da ditadura para montar as motos na zona (franca de Manaus). Porém, o máximo que eu poderia fazer era olhar... Como eu disse, nem sonhar me era permitido. 
Felizmente, no entanto, a vida foi passando e as conquistas foram chegando, até que consegui comprar minha primeira moto, com muito sacrifício. Era uma 125 da Honda. Fui trocando de motos e passando por várias marcas e modelos (Honda, Yamaha, Suzuki) de no máximo 250 cc.

Depois de acumular muitos anos de idade e algumas notas de reais, decidi comprar uma moto grande. Pensei na Honda, na BMW e na Harley. Fui até Sampa para ver de perto a Harley, pois ainda não existia concessionária em Ribeirão. Neste dia, estava acompanhado pela Deise, que se encantou, e me incentivou a buscar o meu sonho.
Algum tempo depois, quando descobri que já existia a Ribeirão Preto Harley-Davidson, resolvi comprar uma moto. Meus pais foram comigo visitar as lojas, e me viram paquerar motos da Harley, da Honda e da BMW. Cada uma tinha suas qualidades.
Após pensar muito, eu resolvi perguntar aos meus pais sobre qual eles gostaram mais. Recebi a tradicional resposta “você que sabe”, mas meu pai deixou escapar algo assim “aquela primeira é muito bonita”. A primeira era a Harley, e isso foi o suficiente para a minha decisão, que acho que estava tomada. Mas ainda queria outra opinião, e mandei uma mensagem para a Alessandra, que já conhecia o meu sonho, e perguntei a ela de qual daquelas motos ela gostava mais. Ela me respondeu o seguinte: “todas são lindas, mas existem motos, e existe a Harley-Davidson. E você merece realizar o seu sonho”.

Entrei na concessionária, e uma linda menina de olhos verdes azulados, ou azuis esverdeados, veio me atender. Gostei muito da simpatia e, principalmente, da sinceridade dela me explicando qual moto se encaixaria melhor ao uso que eu daria.

Comprei, no dia do meu aniversário, uma Sportster XL 1200 Custon. Eu nem acreditava que estava com aquela moto!!!


Ao chegar em casa com a minha HD, pisei em um vasinho de flor da minha mãe e a moto caiu. A paixão era tanta que me deixei cair embaixo dela para não estragar nada!!! Fiquei dois meses com uma forte dor no ombro, mas a HD ficou intacta.

No entanto, eu ainda não me sentia Harleyro. Isso começou a acontecer quando as Ladies of Harley colocaram um convite para irmos levar os brinquedos do Dia das Crianças a uma creche em Ribeirão Preto. Ao chegar, fui recepcionado pela Helena, que me apresentou a todos, e aquele momento foi inesquecível. Entregar os brinquedos foi mágico, mas ainda faltava alguma coisa para eu me sentir um Harleyro.
No dia seguinte, vi uma postagem da linda Lady Fran (Francieli) sobre a entrega dos brinquedos “...tinha até um Harleyro de Barrinha.” Uma transformação aconteceu em mim. Senti orgulho de ser reconhecido como Harleyro, e orgulho da cidade que me acolhe todos os dias. Decidi que meu colete sempre teria o nome da minha cidade.
Graças a essa postagem da Fran, eu passei a me sentir HARLEYRO, pronto para rodar com o grupo. E assim, fui para o café da manhã e para o passeio até Barretos.
Esse dia foi marcante na minha vida. Após o café, eu ouvi o Haddad chamando no megafone para o briefing. “O que será isso?” Fui e quase não entendi nada, mas com o tempo, aprendi que o briefing é o planejamento da viagem.
No primeiro Bate & Volta, o Road Captain era o Cadão, com sua linda moto da cor dos olhos da Catiane. O Balieiro era o Safety, pois o Beto Loko não poderia ir. O ferrolho eu não me lembro quem era, pois não sabia o que significavam essas posições, e entre tantas pessoas, eu só conhecia o Toninho da Cachaçaria.
No percurso eu quase compliquei a vida do Dr. Lemo e sua esposa Elane, ao ficar em dúvida sobre ultrapassar um caminhão próximo ao pedágio, mas a habilidade cirúrgica do Lemo salvou a todos.
Eu olhava para o Balieiro cuidando de todos e pensava: “Esse cara é muito legal, sinto que um dia será um grande amigo.”
Ao chegarmos ao destino, o Cadão veio puxar assunto para me integrar ao grupo. Eu fiquei encantado com a moto dele e ele disse algo que me fez entender o espírito do HOG: “um dia você vai ter uma dessas.”
Sentei ao lado do Paulo e de seu filho. Ali estavam nascendo grandes amizades. E o Jhony Lente Nervosa registrando tudo.
Depois, outros amigos foram chegando e eu fui me encantando mais ainda com o HOG. Beto Loko com seu coração de menino, Cezar Street Glide, o tradicional ferrolho, O Wilson e o Mateus ZF que me deram a honra de uma visita, o Caio que foi chegando e me arrastando para o patamar de quase irmão de sangue. Ele me contou sua história de vida e pude perceber que era uma pessoa iluminada. Conheci o Abilio Ibo, sua animação e bom humor, o Freddy e seu conhecimento do Rock, o Tadeu (ex) Barba Negra, o Luiz com sua tranquilidade.
Além dos Harleyros, eu fui conhecendo suas esposas, namoradas, filhos, agregados e afins, e também criando muito carinho pelos funcionários, pelo Valentão e sua simpatia, pelo Rogério e sua experiência com acessórios, pelo Mauro que sabe tudo de Harley, pela bela Bruna e sua paciência ao mostrar roupas e acessórios pessoais, pelo Gerson e sua atenção especial, pelo Danilo, sempre cordial ao servir nosso café.

A cada encontro, a família aumentava. Aí eu descobri o motivo de estarmos sempre tão felizes em cada encontro: estamos em companhia dos irmãos que Deus permitiu que escolhêssemos!!!